Didaquê (60 A.D. -- 90 A.D.)
DIDAQUÊ
A Didaquê (Διδαχή) foi escrita no idioma Grego Koiné, o mesmo no qual foi escrito o Novo Testamento. É considerado o mais antigo Catecismo da Igreja Cristã. Pertence ao conjunto de escritos denominados de Pais Apostólicos – ou de segunda geração – pois os Pais (ou Padres) que os escreveram conheciam ou eram discípulos direto dos Apóstolos. Estima-se que ela tenha sido escrita entre os anos 60 A.D. e 90 A.D., talvez antes, talvez depois da destruição do templo de Jerusalém, no ano 70 A.D. Foi redigida na Síria ou na Judeia. Para termos uma ideia de comparação, essas são algumas das datas de escritos do Novo Testamento: i) Epístola aos Gálatas, entre 48 A.D. e 55 A.D.; ii) Evangelho de Mateus, entre 80 A.D. e 90 A.D.; iii) Evangelho de João, entre 90 A.D. e 110 A.D.
Algumas tradições que são apresentadas na Didaquê não estão no Novo Testamento. Devemos, ainda assim, guardá-las, como nos exorta o apóstolo Paulo:
“Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa.” (2 Tessalonicenses 2:15)
A Didaquê é uma epístola pequena, dividida em dezesseis capítulos curtos. Trata-se de uma leitura verdadeiramente muito acessível e relevante, e rápida. Os primeiros seis capítulos tratam dos (assim chamados) caminhos da vida e da morte. Podemos dizer que é uma leitura indispensável e que deve ser feita, ao menos uma vez na vida, por todo cristão. O caminho da vida é apresentado de um modo que nos lembra dos temas do Sermão do Monte – onde as prioridades do viver são mostradas –, terminando por um convite para que sigamos por esse caminho. Dos capítulos VII até X, fala-se da celebração litúrgica.
Nessa parte, inicialmente, fala-se do batismo. Em termos ideais, segundo a Didaquê, deve-se batizar em água corrente e por tripla imersão, em nome de cada uma das pessoas da Trindade. Se isto não for possível, são feitas concessões, nesta ordem: água não corrente; água quente; ou até por derramamento sobre a cabeça. Anteriormente ao batismo, tanto o batizando como o batizado “devem observar o jejum [...] de um ou dois dias” (capítulo VII). Ainda quanto ao tema do jejum, é dito que os judeus tipicamente jejuavam dois dias na semana, como se observa, no Novo Testamento, na prática do fariseu que diz: “Jejuo duas vezes na semana [...]” (Lucas 18:12). Após a partida de Cristo, os cristãos também deveriam começar a jejuar:
“Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e então, naqueles dias, jejuarão.” (Lucas 5:35)
Os cristãos devem jejuar, segundo a Didaquê, ao menos duas vezes na semana, mas não mais nas segundas e quintas como os judeus faziam, e sim todas as quartas e sextas-feiras (a sexta-feira é chamada de Dia da Preparação). Recomenda-se, também, que se reze o Pai Nosso conforme Cristo ensinou: “Rezem assim três vezes ao dia.” (capítulo VIII) Isto indica que já era prática se rezar orações escritas, assim como os judeus faziam.
Quanto à Eucaristia, é apresentada uma oração, no capítulo IX, para que os elementos sejam consagrados: o cálice com o vinho e o pão partido. Somente os batizados podem participar dela.
É ensinado de que como se deve receber os profetas e como discernir entre os verdadeiros e os falsos: “Se pedir dinheiro, é um falso profeta. [...] Todo profeta que ensina a verdade mas não pratica o que ensina é um falso profeta.” É assumido, também, que alguns desses profetas iriam trabalhar para se sustentar, ao passo que outros seriam sustentados pela comunidade, devido ao seu trabalho pastoral. Forte advertência é feita, e reiterada, quanto àquele que busca por dinheiro, e é portanto um “comerciante de Cristo”. No caso de não haver profetas para quem se possam dar “os primeiros frutos” da terra, então que se “dê aos pobres”.
Outro ponto importante afirmado é sobre a confissão dos pecados, que deve ser realizada antes da participação na Eucaristia: “Reúna-se no Dia do Senhor para partir o pão e agradecer após ter confessado seus pecados, para que o sacrifício seja puro.” (capítulo XIV) Bispos e diáconos devem ser dignos e escolhidos dentre o povo. (capítulo XV) Por fim, no capítulo XVI, fala-se um pouco do final dos tempos (escatologia), e, em especial, do anticristo, chamado de “sedutor do mundo”, que se buscará assemelhar a Cristo e “fará sinais e prodígios” e a “terra será entregue em suas mãos e [ele] cometerá crimes como jamais cometidos desde o começo do mundo”.
Postagem lida, em formato de vídeo, em: https://youtu.be/BjcejvRkUQM
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